| CIAD 2009
8º Congresso Brasileiro de Assistência Domiciliar
 Data: 6 a 8 de novembro de 2009
Local: Instituto Racine
R. Padre Chico, 93 - Pompéia - São Paulo/SP -
CEP 05008-010
(11) 3670-3499 - ciad@racine.com.br
www.ciad.com.br
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Apresentação
A palavra fotografia, em sentido etimológico, significa escrita com a luz ou transcrita por meio da luz. No senso comum remete à idéia de imagem reproduzida, ora guardada ou mostrada como lembrança, ora revelada e exposta para não se perder... Para não se perder no tempo, no espaço, na história, tanto o objeto, imagem, sujeito ou instante fotografados quanto o sujeito observador/fotógrafo, seu autor.
Trazer para o centro/inserir na paisagem, “revelar”/guardar, expor/ter só para si constituem-se em movimentos gerados pelo ato de fotografar que tanto se excluem como se complementam, sempre dependentes da perspectiva de quem observa ou de quem realiza as ações.
Nas palavras de Cartier-Bresson, “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração” ou, em outras palavras, fotografar é revelar pensamento, observação e sentimento; é ser capaz de expor, para si e para o posterior observador, luz e sombra, cor e forma, foco e desfoque.
Para Vittorio Storaro, em seus estudos sobre fotografia cinematográfica, há que se fazer um paralelo entre luz e vida de forma com que as fases da vida sejam fielmente retratadas pela luz e pelo que ela é capaz de transmitir. Assim, a vida poderia ser representada pelo branco, sendo os momentos específicos retratados por cores características: o vermelho no nascimento, o laranja/calor na infância, o amarelo/consciência na puberdade, o azul/potencialidade na maturidade, o índigo/poder na velhice e o violeta/transmissão de conhecimentos para a última etapa da vida. Para o autor, tanto a luz apresenta diversas tonalidades quanto a vida diferentes etapas, que são vividas e retratadas em um jogo de claro e escuro, luz e sombra, presença e ausência, dor e alegria, saúde e doença, vida e morte.
O paralelismo existente entre o colorido referente às fases da vida, apontado por Storaro, e a atenção em domicílio centra-se na preocupação em conhecer e diferenciar os perfis da clientela atendida no que se refere às diferentes fases da vida. Diferentes fases essas que exigem cuidados específicos e atenção particularizada. Se em um primeiro momento os programas parecem implementar ações uniformes sem este diferencial no cotidiano, a observação mais detalhada desta realidade revela-nos particularidades exemplares que efetivamente diferenciam ações. Assim como na fotografia, há que se admirar a totalidade reconhecendo nela suas incontáveis especificidades que a fazem única.
Desta forma, as ações implementadas visando à atenção a crianças, jovens e idosos são neste congresso apresentadas e discutidas com o intuito de não só revelar o já realizado, mas desvelar o que ainda está por ser focado e analisado, trazendo à luz o que ainda é somente sombra de ações.
Assim, convidamos você tanto a conhecer e “admirar” conosco as práticas já “fotografadas”, isto é: escritas com a luz do conhecimento e da ação cotidianos, quanto, também coletivamente, a desvelar os pontos de sombra e ainda não adequadamente retratados por quem faz da assistência domiciliar seu principal, e mais cuidadoso, foco de ação.
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