A conta-gotas, a disputa entre duas epidemias

O Globo, Rio, 17/04/08

Estado computa oficialmente 87 mortes este ano, embora elas já possam estar em 89, contra as 91 de 2002

Célia Costa

         O número oficial de mortos por dengue no estado já chegou a 87 este ano, apenas quatro a menos do que na epidemia de 2002, a maior de todas até agora, quando 91 pessoas morreram da doença no estado.

         Na época, 288.245 pessoas foram infectadas. Hoje são 93.498 casos.

         No entanto, conforme levantamento feito com base nos casos relatados pelas secretarias municipais de Saúde, o número de óbitos no estado já pode estar em 89. Ontem, por exemplo, foi confirmada na capital mais uma morte: um homem de 61 anos, morador do Anil, em Jacarepaguá - uma das áreas mais afetadas pela epidemia -, morreu de dengue hemorrágica em 31 de janeiro.

         Os exames laboratoriais, no entanto, só confirmaram a doença ontem.

         Com mais esse óbito, sobe para 52 o número de mortes no município. Em uma semana, 18.099 novos casos surgiram, somando 93.498 vítimas este ano.

         Os números de mortes no estado podem ser ainda maiores.

         Conforme o balanço semanal da Secretaria estadual de Saúde, divulgado ontem, ainda existem 91 óbitos sendo investigados (ainda dependem de comprovação laboratorial).

         Dos 87 mortos oficiais, 36 eram menores de 15 anos, prova de que a doença afetou mais as crianças. Elas são mais suscetíveis porque não tiveram contato - e, portanto, não são imunes - ao vírus 2 da doença, que predomina na atual epidemia. Do total de mortos, 29 deles foram vítimas da forma mais grave da dengue, a hemorrágica. Segundo a Secretaria estadual de Saúde, até ontem 5.331 doentes precisaram ser internados, metade com menos de 15 anos. Os casos em gestantes são 502.

         Além da capital, as cidades que mais registram casos de dengue são: Angra dos Reis (6.090), Nova Iguaçu (5.475), Campos (4.106), Caxias (2.763), Niterói (2.169), São João de Meriti (2.094) e Magé (1.651). Depois do Rio, Caxias é a cidade que registra o maior número de mortes: 11 até agora.

         Seguida de São João de Meriti (cinco) e de Angra e Campos (ambas com quatro mortes confirmadas).

 





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