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A cirurgia com robô já é realidade em SP
Gazeta Mercantil, vida executiva, 17/04/08
Duas grandes aquisições realizadas por hospitais de São Paulo causaram algum frisson na sociedade médica paulista neste mês. O Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital Sírio-Libanês, ambos da capital, adquiriram e inauguraram equipamento robótico para realização de cirurgias. Foram pioneiros no Brasil, mas como sempre a tecnologia chega um pouco tarde por aqui. Nos Estados Unidos e Europa já existem centenas de unidades do robô chamado Da Vinci, há alguns anos. A explicação é obvia: o alto custo, cerca de US$ 1 milhão.
Nos últimos congressos internacionais de urologia, o Da Vinci vem sendo considerado uma celebridade. O que ele faz? A grande virtude é que o cirurgião opera o paciente sem colocar a mão na sua barriga. O robô tem quatro braços nos quais, nas extremidades, há pinças especiais que são introduzidos dentro do abdome do paciente. O cirurgião posiciona-se em um console, alguns metros ao lado da mesa operatória. Ele realiza a cirurgia com instrumentos ultra-sensíveis, que filtram e traduzem os movimentos do punho e das mãos do cirurgião para dentro do campo cirúrgico. A grande vantagem é a precisão dos movimentos do robô que, sem dúvida, apresenta muito mais destreza do que qualquer cirurgião habilidoso. A visão também é fantástica: muita pureza e em três dimensões, no vídeo dentro do console. A cirurgia é definida pelo fabricante como "intuitiva", porque o médico não consegue sentir ou palpar os órgãos, como em cirurgias abertas, ou mesmo nas laparoscópicas. Na verdade, o robô aperfeiçoa a cirurgia já consagrada de laparoscopia.
Diferentemente do que alguém possa imaginar, a cirurgia por robô ainda é realizada pelo homem. O robô apenas transmite os movimentos ordenados pelo homem, no caso, o cirurgião, de maneira precisa e eficaz.
No Brasil, há cerca de duas semanas foram realizadas as primeiras cirurgias robóticas. Os cirurgiões brasileiros, obviamente ainda sem muita experiência, tiveram o auxílio de um cirurgião internacional. As cirurgias realizadas foram prostatectomias radicais em homens com diagnóstico de câncer de próstata.
A comunidade médica e, principalmente, os cirurgiões estão bastante excitados com a chegada da tecnologia. Estive na reunião inaugural no Hospital Albert Einstein e faltaram lugares para os médicos presentes. No entanto, a diretoria do hospital, cautelosamente, anunciou que treinará três cirurgiões e apenas depois do aperfeiçoamento é que será possível agendar cirurgias com o Da Vinci.
Segundo a diretoria do hospital, seria inviável repassar os custos das cirurgias com o robô às seguradoras médicas ou mesmo aos pacientes. Assim, deverá ser cobrada uma taxa de utilização do equipamento.
Certamente o serviço público irá demorar muitos anos até conseguir disseminar este equipamento na sua rede. Concordo que primeiro temos de erradicar epidemias como a dengue.
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